A morte de Marielle, de Anderson, de Cláudio

Quanto valeu Marielle, Anderson ou Cláudio? Quanto vale um pai de família pra esse estado?

16 de março de 2018   /   Categoria:   /   Escrito por: Pra. Marcele Carvalho

 

Refletindo sobre os últimos acontecimentos me recordei da canção “Rio 40 Graus”, do ano de 1992, composta por Fernanda Abreu, Fausto Fawcett e Laufer. Esta canção é considerada um dos clássicos da música pop brasileira. Há 26 anos atrás o Rio de Janeiro já era o retrato do descaso, da violência, dos poderes paralelos e da milícia. O caos que não é resolvido é potencializado. Segue um trecho da letra que já tem 26 anos mas que permanece atualíssima:

Rio 40 graus, cidade maravilha, purgatório da beleza e do caos.
Capital do sangue quente
Do Brasil
Capital do sangue quente
Do melhor e do pior
Do Brasil…(2x)

O Rio é uma cidade
De cidades camufladas
Com governos misturados
Camuflados, paralelos
Sorrateiros
Ocultando comandos…
Comando de comando

Submundo oficial
Comando de comando
Submundo bandidaço
Comando de comando
Submundo classe média
Comando de comando
Submundo camelô

(…)

Comando de comando. No segundo verso há uma referências aos “governos misturados, camuflados, paralelos, sorrateiros” da cidade, que, mais tarde são revelados como sendo o governo oficial, as milícias que controlam o tráfico de drogas, a classe média e as emissoras de televisão que têm sede na cidade. Ou seja, todo mundo sabe o que acontece por aqui e infelizmente não interessa a ninguém resolver o caos da “cidade maravilhosa”.

O fato é que o sofrimento por aqui também é seletivo. Na verdade ele é partidário e “politiqueiro”. Morre Marielle, a situação é gravíssima. Morre uma vereadora, negra, mulher, defensora dos direitos humanos. Isso é terrível. Sim, isso é muito terrível. Mas também morre Anderson, motorista, trabalhador, branco, pobre. E isso também é terrível. Mas no mesmo dia também morre Cláudio. Empresário, branco, pai, esposo. Num assalto e na frente do filho de cinco anos.

Chegamos no mês de março e os números são alarmantes: 85 policiais baleados – sendo que 29 não resistiram. Do total, 80 eram Policias Militares e 5 eram Policiais Civís. Destes, 42 estavam de serviço, 40 estavam de folga, 1 estava de férias fora do Estado do Rio e 2 eram reformados. Do total, 13 casos foram em áreas pacificadas.

Infelizmente interessa mais à mídia a morte de Marielle. Esta comoção não deveria ser pra cada morte dessa? Fora as mortes que nem ficamos sabendo. O assunto é sério. Quanto valeu Marielle, Anderson ou Cláudio? Quanto vale um pai de família pra esse estado?

O resumo da ópera é: estamos em guerra. Uma guerra silenciosa (nem sempre) e armada que está dizimando a população. Homens e mulheres de bem. Os bandidos? Ah, esses estão soltos, bem armados e cada vez mais abusados. Uns estão pelas comunidades, outros estão de segurança financiando o crime dos seus escritórios particulares. Esses são os mais perigosos. Eles não tem compaixão. Eles são como os parasitas. Se alimentam de um sistema e causam muito dano ao sistema que os alimenta.

O que dizer diante de tantos fatos paralisantes? Todos esses vão pagar. Tudo o que o homem plantar isso mesmo ele ceifará. A lei da colheita é  infalível. Por isso sigo fazendo o meu papel. Tentando abençoar o próximo (nem sempre consigo); me esforçando pra trazer soluções e não problemas; concentrando-me no que posso fazer pra ajudar, pra construir, pra somar.

Essa vida é curta demais pra se perder tempo com coisas bobas. Essa vida é boa demais pra eu me envolver em causas perdidas. Sigo olhando para o céu e tentando ser uma melhor pessoa aqui na terra. Te aconselho a fazer o mesmo.

É casada com Cristiano, mãe de Isaac e Isabella. Autora dos livros "O caminho da felicidade" e "Manual da esposa cristã". Tem se destacado no ministério com mulheres e famílias.

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