A despedida

Despedidas podem realmente ser muito difíceis. É claro que existem situações em que a melhor coisa a se fazer é deixar ir, cessar, renunciar, apartar-se. Se despedir de problemas é fácil; se despedir de quem não se tem apreço é moleza; mas dizer adeus a quem se ama é outra história.

20 de junho de 2018   /   Categoria:   /   Escrito por: Pra. Marcele Carvalho

 

Despedidas podem realmente ser muito difíceis. É claro que existem situações em que a melhor coisa a se fazer é deixar ir, cessar, renunciar, apartar-se. Se despedir de problemas é fácil; se despedir de quem não se tem apreço é moleza; mas dizer adeus a quem se ama é outra história.

Neste fim de semana fui visitar minha vozinha que hoje mora com uma tia minha. Já tinha um tempo que não a via. Muitos afazeres, agenda agitada e eu sempre deixando pra depois. Estive lá e a encontrei bem (na medida do possível, pois ela foi diagnosticada com Alzeimer), conversamos, rimos, ouvimos histórias. Por um momento ela quis se deitar e me fez deitar ao lado dela. Carinhosamente ela passou as mãos em meus braços e me disse: “Gosto tanto de você!”. Ah, o amor! Dele ninguém se esquece. O livro de 1 Coríntios 13 já declarou: O amor jamais acaba.

Como é forte o amor! As muitas águas não o podem apagar, nem os rios afogá-lo. Apesar de não saber direito mais quem eu sou, ela sabe que me ama. Sim, e ela também ama o seu namorado (meu avô), que faleceu em outubro do ano passado. Ninguém contou isso pra ela, não adiantaria. Ela esqueceria e teríamos que contar de novo e de novo e ela sofreria mais e mais. Ela acha que ele saiu, foi no vizinho e está demorando!  – “Como gosta de bater papo esse Vicente!”

Mais de 60 anos de vida conjugal. A doença não corrompeu esse amor. De vez em quando vai ela pra janela, esperar o Vicente, que está demorando a chegar. Como é difícil despedir-se de quem se ama… Como é difícil dizer adeus…

Saquarema, o lugar onde eles moram, não é mais a mesma. Falta um brilho no sol, um azul no mar. Ela era uma cidade tão colorida e de repente me parece tão cinza, tão melancólica.

Ressignificar é preciso. Entendi porque demorei tanto para ir vê-la. Não queria me lembrar. Não queria encarar uma Saquarema sem o Sr. Vicente; minha família sem meu avô; o mundo sem o meu grande amor. Ele foi meu pai, meu amigo, meu patrão. Quem me educou, quem me amou, quem comigo se alegrou. Mas nada dura para sempre, nem ninguém.

Por isso, viver o hoje é tão necessário. Ser a melhor pessoa hoje. Perdoar hoje mesmo. Desfrutar de todos os momentos. Por que hoje, temos menos tempo do que tínhamos ontem. E amanhã, teremos menos tempo ainda. Por essas e por outras, hoje é dia de amar. Hoje é dia de ser a melhor versão de si mesmo. Hoje é dia de dar a volta por cima e tentar de novo; de largar a procrastinação; as historinhas que não deixam a gente sair do lugar. Hoje é dia de desfrutar de tudo e de quem nós temos. 

É casada com Cristiano, mãe de Isaac e Isabella. Autora dos livros "O caminho da felicidade" e "Manual da esposa cristã". Tem se destacado no ministério com mulheres e famílias.

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