Em briga de marido e mulher, eu meto a colher

Que Deus nos livre de sermos uma ilha! Que Deus nos livre de vivermos apenas para nós mesmos! Quero cuidar de você e deixar você cuidar de mim

8 de agosto de 2018   /   Categoria:   /   Escrito por: Pra. Marcele Carvalho

 

Tatiana Spitzner, 29 anos, advogada, paranaense, morta ao cair do quarto andar do prédio onde morava. (Marido é suspeito do crime).
Tatiane Rodrigues, 30 anos, cabeleireira, mineira, morta a facadas, na madrugada da última segunda-feira. (Ex-companheiro é suspeito do crime).
Simone da Silva de Souza, 25 anos, grávida de três meses, comerciária, carioca, morta asfixiada pelo próprio marido que confessou o crime.

Vou parar por aqui, mas uma leve busca pela internet nos leva a um número sem fim de mulheres agredidas brutalmente e na maioria dos casos pelos seus próprios companheiros. O Brasil registrou, 4.473 homicídios dolosos em 2017. Uma mulher é assassinada a cada duas horas; doze mulheres por dia. Muitos são os motivos, mas o que quero focar aqui, são os altos índices de assassinatos cometidos por companheiros ou ex-companheiros.

Até o momento, o MP-PR tem em mãos o inquérito da Polícia Civil, que tem 400 páginas com 18 depoimentos, relatório detalhado da imagens das câmeras de segurança e o laudo do local da morte que mostra marcas no pescoço de Tatiane.

 

Muita coisa pode ser dita, contudo, qual a contribuição que cada um de nós pode dar pra situações como essas? Me lembro de uns anos atrás ir no armarinho na rua da minha casa junto com o meu esposo. Na porta do armarinho, um carro estacionado com um casal aos berros e uma criança chorando muito. Ele sacudia ela no banco e ela socava ele. Entramos na lojinha meio desconcertados e quando me dei conta, meu marido já estava lá fora, pendurado na janela do carro, se metendo na briga do casal. Fiquei aterrorizada junto com a dona do estabelecimento, nunca se sabe o que pode acontecer numa situação dessa.

Meu marido sempre muito sábio, os abordou com muita educação, mostrou a situação da criança e o marido surpreendentemente pediu desculpas enquanto chorava e justificou a atitude violenta colocando a culpa na mulher, que segundo ele, o enlouquecia. Infelizmente após o pedido de desculpas eles foram embora e não sabemos o desfecho da situação.

Em outra situação similar, ouvimos os gritos de uns vizinhos e mais uma vez, meu esposo “meteu a colher”, ele disse que chamaria a policia. Uma outra vizinha interveio, entrou na casa e no dia seguinte vimos o caminhão da mudança parar em frente aquela casa e levar as coisas do “marido”.

Não podemos nos tornar tão omissos. Não podemos calar a nossa voz. Seja em um aconselhamento quando se identifica um relacionamento abusivo, seja num socorro quando se percebe atitudes violentas. Somos uma comunidade. Quando a tua família funciona bem, de maneira saudável, isso abençoa a minha e vice-versa.

O caso mais famoso da advogada, nos intriga pela quantidade de imagens violentas captadas. Será que ninguém viu aquilo em tempo real? Onde estava o segurança do prédio? Será que ninguém ouviu aquela confusão? Infelizmente ouviram sim e preferiram se calar. Uma das testemunhas chegou a ver a advogada chorando na sacada do prédio e voltou a deitar. Se levantou quando ouviu o corpo dela bater ao chão.

Tarde demais pra Tatiana; tarde demais pra Tatiane; tarde demais pra Simone e pra outras tantas que estão por vir. Perdemos o senso do cuidado mútuo. Antigamente, quando uma criança aprontava, qualquer adulto podia chamar a atenção. Se isso acontecer hoje em dia, dá até processo. Fomos nos isolando no politicamente correto e nos tornamos “egoisticamente emburrecidos”.

Que Deus nos livre de sermos uma ilha! Que Deus nos livre de vivermos apenas para nós mesmos! Quero cuidar de você e deixar você cuidar de mim. Vamos espalhar o amor ao próximo. O amor sincero, não fingido. O amor que é permeado de atitudes, não apenas de palavras.

Deus abençoe você e sua casa! E se precisar de ajuda, grite. Nós queremos te ajudar.
Com amor, Marcele Carvalho.

É casada com Cristiano, mãe de Isaac e Isabella. Autora dos livros "O caminho da felicidade" e "Manual da esposa cristã". Tem se destacado no ministério com mulheres e famílias.

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